O principal avanço do século 21 não vai ser tecnológico. Será na percepção do que é realmente ser humano.

Já parou pra pensar na experiência complexa que é ser humano? Já pensou em todas as potencialidades que estão ‘escondidas’ e aguardando para serem descobertas dentro de você?

Porque, acredite, elas estão ai dentro. E assim como está dentro de você, ela está em todos os lugares. Porque se estamos todos aqui como seres humanos, isso significa que lá no fundo, todos somos iguais. Não existe separação.

Me pergunto: se alguns conseguem libertar o seu potencial, por que você não conseguiria, sendo que todos somos os mesmos seres humanos?

Qual a relação de nosso verdadeiro potencial com nossa vida profissional?

Na minha visão, ela é simples e complexa. É o novo paradoxo que temos que aprender a conviver.

Não existe somente um ponto de vista, e ‘extremos’ podem conviver em harmonia. O racional e o intuitivo. A liberdade e a responsabilidade. Eu e a comunidade. Tudo coexiste.

É justamente na coexistência que mora a relação com as organizações.

Amigos se abraçando

Empresas, na essência, são feitas de seres humanos.

Se tudo coexiste, por que falamos em separação da vida profissional e pessoal? É só observar os termos que utilizamos, por exemplo: “ah, eu preciso equilibrar minha vida e o trabalho”.

Se queremos “equilibrar”, é porque assumimos a premissa de que os dois mundos são separados.

Mas como é possível sermos o mesmo ser humano e ao mesmo tempo estarmos separados por um pensamento?

Me permito ir além. Se alguns seres humanos conseguem despertar seu máximo potencial, e empresas são feita de seres humanos, por que algumas empresas estão despertando para seu máximo potencial e algumas não?

Nós como sociedade, estamos agora descobrindo o quanto modelos de negócios baseados na imposição, em processos rígidos, em regras inquestionáveis, na obsessão por resultados, no materialismo e na eficiência extrema não são os melhores ambientes para se conviver.

E por quê? Porque tira da equação do balanço da vida, uma das variáveis mais importantes: a integralidade dos seres.

Ao nos colocarmos em ambientes que, em suas crenças e sistemas, não consideram o que é ser humano por completo, simplesmente passamos a vestir máscaras de quem somos, ou ainda, de quem o meio externo acha que deveríamos ser.

Deixamos uma parte nossa pro lado de fora, e ao fazer isso, não levamos nosso máximo potencial para dentro.

Quando estamos em ambientes que sustentam um sistema baseado no ego, no medo e no controle, é muito difícil de nos estabelecermos enquanto seres integrais. Porque o ego separa.

Pense comigo… De onde que surgem as politicagens, disputas de poder, competição entre funcionários e a separação entre alto escalão e funcionários da base? Do nosso ego amedrontado e assustado.

Da necessidade ilusória de controle criada pela nossa própria mente.

Nesse estado, o que mais queremos é o controle sobre as situações. Eis que surgem as hierarquias disfuncionais, por exemplo.

A retenção de poder em algumas poucas pessoas cria fluxos interrompidos de energia, bloqueia nossa criatividade e autonomia, que por sua vez não permitem que a empresa seja um sistema fluido e equilibrado.

Acabamos nos esquecendo de simplesmente servir. De servir a um propósito real.

Isso cria uma grande ilusão: a ilusão da separação. Na essência, todos estamos na mesma jornada eterna de aprendizado que chamamos de vida.

E novamente, pelo medo de que algo não seja conforme o planejado, podemos deixar de lado nossa real essência porque talvez não seja bem vista naquele ambiente.

Justamente por isso, muitas pessoas que estão passando por evoluções em seus estágios de consciência, estão questionando suas presenças em ambientes onde elas não podem ser elas mesmas.

Essas, por muitas vezes, preferem criar suas próprias organizações ou até iniciam sua atuação como autônomos, na busca de um ambiente que faça mais sentido.

Elas estão questionando o que elas fazem, como elas fazem, e porquê elas fazem o que fazem. É uma questão de liberdade.

A liberdade de investigar o seu próprio ser interior e de questionar o sentido da sua vida.

Quando nos libertamos, e enxergamos que a vida um grande processo de aprendizado, paramos de agir pelo nosso medo. Pelo medo de perder nosso emprego, por exemplo.

Inovar é criar um ambiente baseado na confiança e na vulnerabilidade, que contemple o ser humano em sua totalidade além do profissional — nos aspectos emocional, espiritual, relacional etc.

Esse texto trás questionamentos, esse é o objetivo. Não existe caminho melhor ou pior, existe o seu caminho. E o seu caminho pode ser em uma organização que te valorize como ser humano, como ser integral que é.

Que compreenda que todos estamos jogando o mesmo jogo da vida, e que cooperar é melhor do que competir.

E pasmem, existem (muitas) evidências que mostram a relação desses ambientes com melhores índices de produtividade e resultados em todas as áreas, inclusive financeira.

Por fim, não estou dizendo que as hierarquias são ruins, mas sim que algumas dessas formas hierarquicas concentram poderes que tornam o ambiente uma verdadeira máquina industrial.

Como você pode imaginar, a maioria das pessoas não se importa com os sentimentos de uma engrenagem, certo?

E ai, isso faz sentido para você? Qual é o seu caminho? Como você se enxerga no mundo profissional?

Compartilhe aqui comigo e vamos juntos na jornada de construirmos um mundo mais feliz, saudável, equilibrado e integral para todos os seres.

Victor Leoni

Foto de Jan Krnc no Pexels

Estudo aprofundado (em inglês): David Rooke e William R. Torbert no artigo Organizational Transformation as a Function of CEOs' Developmental Stage

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